eza de que o que eu queria era ser irmão, consagrado.
Busquei aquilo que me fizesse bem, que me realizasse como ser humano. E esse caminho foi sendo construído aos poucos. Graças a Deus e aos animadores vocacionais que me acompanharam, fui compreendendo tudo isso. Minha vocação começou com o envolvimento com os irmãos e com os aspectos pastorais. Eu já era uma liderança na minha comunidade, uma referência para os jovens. Gostava desse movimento, e isso se conectou com o que é essencial na congregação. Foi assim que tudo começou.
E qual é a importância do exemplo na descoberta da vocação?
É fundamental. Hoje existe uma grande carência de referencialidades na realidade juvenil. O jovem busca referência. Eu também busquei. Talvez o que me tornou o irmão marista que sou hoje foram justamente as referências que tive na época. Por isso, o testemunho de vida é essencial. Viver a vocação com intensidade, com entrega total, é um sinal para os outros.
Quem está vivendo sua vocação precisa ter consciência disto: é preciso viver com alegria. Deus não quer que sejamos infelizes, mas que sejamos felizes onde estivermos. Eu me sinto feliz como irmão marista porque vi outros irmãos felizes. Vi pessoas que abraçavam esse carisma e faziam dele um sinal no mundo. Isso me encantou e me inspirou.
Seu livro destaca muito o acompanhamento vocacional. O que é essencial para animadores e educadores nesse processo?
Nos dois livros que publiquei por Paulinas, eu destaco muito o olhar com ternura e com misericórdia – dimensões que o Papa Francisco trabalha em seu ministério. É preciso olhar com atenção e cuidado. E isso exige acompanhamento. Essa é uma das maiores carências da juventude hoje. Acompanhar é se envolver com responsabilidade no desenvolvimento do jovem. Não é um envolvimento imaturo, mas um compromisso com o crescimento dele. E o melhor exemplo de acompanhamento é Jesus. Jesus se aproximava com leveza, amor e cuidado. Ele não julgava, mas conhecia a pessoa, se interessava por ela. Basta ver o episódio dos discípulos de Emaús: Jesus caminha com eles, escuta, questiona. Esse é o verdadeiro acompanhamento.
Como percebemos a própria vocação? Existe uma forma de reconhecer isso ao longo da vida?
No meu livro “Despertar para a vocação”, trabalho três aspectos fundamentais: identificação, consciência e encantamento. A identificação é o momento em que o jovem sente que aquilo tem a ver com ele, que se conecta com seus valores e objetivos. Depois vem a consciência: ter clareza de que a escolha exige compromisso, esforço e dedicação. Toda vocação tem exigências, seja matrimonial, seja religiosa, laical ou sacerdotal. Por fim, o encantamento: os olhos precisam brilhar; o coração, vibrar. Só assim se vive a vocação com sentido e alegria.
O animador vocacional precisa ajudar o jovem a desenvolver esses aspectos. O mundo de hoje oferece outras referências, especialmente por meio da tecnologia, e isso pode afastar o jovem desse processo. Por isso, é preciso um olhar estratégico para ajudá-lo a amadurecer.
Como percebemos a própria vocação? Existe uma forma de reconhecer isso ao longo da vida?
No meu livro “Despertar para a vocação”, trabalho três aspectos fundamentais: identificação, consciência e encantamento. A identificação é o momento em que o jovem sente que aquilo tem a ver com ele, que se conecta com seus valores e objetivos. Depois vem a consciência: ter clareza de que a escolha exige compromisso, esforço e dedicação. Toda vocação tem exigências, seja matrimonial, seja religiosa, laical ou sacerdotal. Por fim, o encantamento: os olhos precisam brilhar; o coração, vibrar. Só assim se vive a vocação com sentido e alegria.
O animador vocacional precisa ajudar o jovem a desenvolver esses aspectos. O mundo de hoje oferece outras referências, especialmente por meio da tecnologia, e isso pode afastar o jovem desse processo. Por isso, é preciso um olhar estratégico para ajudá-lo a amadurecer.
Esses exercícios do projeto de vida que você propõe se aplicam apenas à vida consagrada?
O material pode ser adaptado para qualquer contexto: escolar, paroquial ou congregacional. Há indicações práticas ao fim de cada capítulo. É só adaptar conforme a realidade. A ideia é justamente esta: não ficar preso ao conteúdo do livro, mas usá-lo como ferramenta. Qualquer orientador vocacional ou profissional pode aplicá-lo.
Para finalizar, que mensagem você deixa para os jovens que estão em discernimento vocacional?
O momento atual é tempo de se abrir ao discernimento. É tempo de escutar o que Deus quer de nós. A vocação é uma relação íntima com Deus. É Ele quem chama. E a resposta é pessoal – não vem dos pais, dos amigos, de ninguém além de você. Deus não vai aparecer em forma de milagre para dizer o que fazer. Mas Ele se manifesta nas pequenas coisas, nos gestos, nos testemunhos. Por isso, é preciso estar atento à vida e ao coração.
Disponível em: https://pt.aleteia.org/2025/08/07/o-que-e-vocacao/
